Nos primórdios os seres humanos sentiam-se frágeis perante as forças da natureza e temiam tudo aquilo que não conseguiam explicar ou o que fosse desconhecido, um evento das forças da natureza, uma doença, ou mesmo um encontro com indivíduos de outros clãs.
Para mediar estas carências, foram surgindo indivíduos
peculiares que com sabedoria e coragem iam ao encontro do desconhecido para
posteriormente explicar, acalmar e orientar os demais, uma espécie de
"organizador do caos". Assim surge
o Xamã.
A palavra xamã tem sua raiz na Sibéria, vinda da palavra
"saman", aparentado com o termo sânscrito "sramana" que
significa: inspirado pelos espíritos.
O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir
a pessoas de uma grande variedade de culturas, também chamados de bruxos, feiticeiros,
curandeiros, videntes, sacerdotes, pajés, homens de cura, conselheiros,
contadores de estórias, líderes espirituais e outros.
O xamã, não se autoproclama. Ele é chamado para suas tarefas
espirituais, passa por treinamentos e então é reconhecido pelas pessoas de sua
comunidade. A iniciação tem um fundamento nas bênçãos recebidas pelos
instrutores que passam uma espécie de "autorização espiritual" para
conduzir cerimônias. Isso é honrar o conhecimento e não usurpar, e nem
banalizar o processo de iniciação espiritual. Trata-se de um sacerdócio. É uma
missão de utilidade pública.
Sua vocação é demonstrada por perturbações no comportamento
( loucura controlada), vem também por transmissão hereditária, por decisão
pessoal onde passa por provas (jejuns, recolhimentos, sacrifícios corporais...)
ou é eleito pelo clã. Iniciado pelos espíritos tem uma vivencia de morte
simbólica para posterior ressureição. Permanece dias em locais isolados sem
falar, comer, e, quase sem respirar. Geralmente conta em suas provas, ao
regressar de sua viagens que seus ossos foram arrancados, sua carne raspada,
tem a cabeça decepada, isto é o coma iniciático. Ele deve morrer em seu corpo
terrestre para renascer em corpo astral. Esqueletos de pessoas, pássaros ou animais,
são alguns dos ornamentos dos siberianos. Simboliza o tempo do nascimento do
xamã - meio homem - meio animal.
Os xamãs carregam o conhecimento espiritual e da vida,
passados oralmente, lembrando a sabedoria dos antepassados. Eles conduzem os
ritos de passagem, encorajam a comunidade para enfrentar os desafios, aglutinam
a consciência comunitária, criando uma identidade grupal. O xamã é um
especialista do Sagrado. Ele é capaz de mover-se entre os diversos estados de
consciência. O xamã é uma pessoa que trabalha em Estado Alterado de Consciência
( estado extático, transe, estado transcendente - onde a pessoa percebe uma
"realidade incomum".) e deve conhecer os métodos básicos para
realizar esse trabalho. Os xamãs são grandes conhecedores da floresta, das
propriedades das plantas, das estrelas, dos 4 elementos da natureza e dos
animais.
Em 1947 um pequeno
jovem com 4 anos de idade presenciou um acidente numa rodovia do Novo México,
que anos mais tarde, viria a descrever como uma das experiências mais significativas
que teve durante toda sua vida:
“A primeira vez que descobri a morte… eu, os meus pais e os
meus avós, íamos de automóvel no meio do deserto ao amanhecer. Um caminhão
carregado de índios, tinha chocado com outra viatura e havia índios espalhados
por toda a auto-estrada, sangrando. Eu era apenas uma criança e fui obrigado a
ficar dentro do automóvel enquanto os meus pais foram ver o que se passava. Não
consegui ver nada – para mim era apenas tinta vermelha esquisita e pessoas
deitadas no chão, mas sentia que alguma coisa se tinha passado, porque
conseguia perceber a vibração das pessoas à minha volta, então de repente
apercebi-me que elas não sabiam mais do que eu sobre o que tinha acontecido.
Esta foi a primeira vez que senti medo… e eu penso que nessa altura as almas
daqueles índios mortos – talvez de um ou dois deles – andavam a correr e aos
pulos e vieram parar à minha alma, e eu, apenas como uma esponja, ali sentado a
absorvê-las”.
Desde então, Douglas afirmou diversas vezes que um velho índio Xamã o acompanhava por onde
quer que fosse.
Anos mais tarde, Douglas desenvolveu um gosto para leitura exageradamente incomum para um jovem de sua idade. Devido as constantes mudanças de cidades e escolas, por conta da profissão de seu pai (Almirante da Marinha), não conseguia estabelecer um vinculo e um ciclo de amizade natural como os outros garotos, se tornando cada vez mais introspectivo e tendo como única diversão a leitura. Aos 15 anos já havia sido influenciado por Friedrich Nietzsche, Arthur Rimbaud, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti, Charles Baudelaire,Molière, Franz Kafka, Honoré de Balzac, Jean Cocteaue , junto com a maioria dos filósofos existencialistas franceses.
Anos mais tarde, Douglas desenvolveu um gosto para leitura exageradamente incomum para um jovem de sua idade. Devido as constantes mudanças de cidades e escolas, por conta da profissão de seu pai (Almirante da Marinha), não conseguia estabelecer um vinculo e um ciclo de amizade natural como os outros garotos, se tornando cada vez mais introspectivo e tendo como única diversão a leitura. Aos 15 anos já havia sido influenciado por Friedrich Nietzsche, Arthur Rimbaud, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti, Charles Baudelaire,Molière, Franz Kafka, Honoré de Balzac, Jean Cocteaue , junto com a maioria dos filósofos existencialistas franceses.
Aos 18 anos de idade seus pais o enviaram para Flórida para
concluir os estudos no St. Petersburg Junior College, onde morou um ano com
seus avós. Neste período Douglas descobriu e aprendeu a gostar da vida boemia
ouvindo músicas eruditas Clássicas, Jazz e o Delta Blues.
No ano seguinte iniciou os estudos na Florida State
University, onde estudou dentre outras coisas Filosofia, Psicologia e Teatro.
Porém estava determinado a estudar cinema e o que o impedia era a não
autorização de seus pais, já que mesmo sendo maior de idade ainda dependia
financeiramente dos mesmos. Aos 21 anos conseguiu finalmente convencer seus
pais a iniciar seus estudos na UCLA e com isso sua vida iria literalmente virar
uma doidera.
Durante sua graduação Douglas, como todo bom universitário,
expandiu suas habilidades em consumir álcool e experimentar novos caminhos
entorpecentes. Não era raro encontra-lo nas melhores algazarras, bebendo,
fumando e usando tudo quanto fosse tipo de substancias suspeitas. Comia
qualquer coisa digerível e dormia nos sofás das casas dos amigos, nas varandas,
nos quintais e nos telhados. Nos telhados!
Neste período, além das chapações, Douglas continuou sendo
um devorador de livros. Por acreditar numa conexão espiritual com um velho
índio, buscou ler assuntos relacionados ao Xamanismo, consequentemente caiu nas
literaturas Ocultistas e quase que ao mesmo tempo entrou de cabeça nos materiais
de Huxley e de todos os outros escritores obscuros da geração Beat.
Em 1965 ao se formar em Cinema, podemos assim dizer, o cara
despirocou de vez. Ele decidiu não aparecer em sua colação de grau por conta de
desentendimentos com professores e alguns colegas de sala. Cortou todas as
ligações que tinha com a família, chegando a queimar os cheques que seus pais
lhe enviavam. Passou a morar e comer de favor nas casas dos amigos, conhecidos
e também desconhecidos. E devido a esta circunstância nada rotineira, abandonou
o habito de trocar de roupa e tomar banho. Nesta época na Califórnia, consumir
drogas e álcool não era algo muito difícil, então Douglas não teve dificuldade
em manter seu estado de chapação eterna. Neste momento aconteceu sua primeira
prisão por desordem.
Num outro momento, passeando chapadamente na praia de Venice,
Douglas encontrou um de seus colegas de curso, os dois já não se encontravam há
um tempo e então começaram a conversar sobre as coisas que estavam fazendo.
Douglas falou a respeito de algumas poesias e musicas que escrevera e assim seu
amigo teve a ideia de montar uma banda. Chamou mais dois amigos malucos e assim
forma-se o quarteto James Douglas Morrison, Raymond Daniel Manczarek Jr, John
Paul Densmore e Robert Alan Krieger, mais conhecidos como Jim Morrison, Ray Manczarek, Jhon Densmore e Robby Krieger. The Doors.
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Da direita para esquerda: Jim, Ray, Robby, Jhon. |
“If the doors of perception were cleansed everything would
appear to man as it is, infinite.”
(William. Blake)
Esta citação, feita por Blake, está no livro de Huxley “As Portas da
Percepção” onde o autor fala a respeito de suas experiências com a mescalina.
Todos os integrantes da banda já haviam entrado em contato com as drogas
alucinógenas, em especial o LSD, e todos viviam um momento extremamente
psicodélico. Jim era o principal letrista da banda e por isso a maioria das
músicas possuem temas ocultistas, devido a influencia que Jim absorveu de seus
autores favoritos. Todos os integrantes
faziam ideia do que estava sendo falado, mas apenas Jim sabia exatamente a que
se referia.
Muitas das letras de Jim possuíam referencias ocultistas e
nos shows ele tinha a capacidade de entrar em transe com o auxilio de drogas
psicoativas. Era comum vê-lo dançando como um índio em suas apresentações e
houve momentos em que os integrantes da banda, assim como alguns espectadores,
viram claramente um velho índio dançando junto com ele, que do nada
desaparecia. (É, naquela época o fumo deveria ser realmente do bom).
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Abaixo de Jim, nesta foto da contra capa do album 13, o busto de Mr. Crowley |
Durante um bom tempo, todos os integrantes estavam na mesma
sintonia lisérgica, costumavam beber, se divertir e usar juntos seus
alucinógenos compartilhando assim de suas insanidades. Durante este período o
quarteto estava em total harmonia. As apresentações do Doors eram
imprevisíveis, a performance de Jim nos palcos, acompanhada do ritmo
hipnotizante da banda, inspirava e incitava o público à loucura total. Alguns espectadores comparavam o show do Doors como uma experiencia religiosa, mas muitas
vezes os shows se tornavam um verdadeiro caos. A partir deste momento, começou a brotar grana do chão para os caras.
Acontece que, diferentemente do restante do grupo, Jim era uma
pessoa de extremos e cada vez mais buscava uma forma de ir além, chegando a
atrapalhar as apresentações da banda. Como aconteceu em 1968 em Amsterdã, ao
chegarem à cidade foram dar uma volta pelas ruas, os malucos da região iam
cumprimentá-los e dar as boas vindas ao melhor estilo europeu. Além de abraços
e beijos davam também cogumelos, LSDs, baseados e o que mais tivessem em mãos.
Todos aceitavam com grande alegria, Jhon, Ray, e Robby davam uns tapinhas e guardavam o restante para mais tarde, já Jim usava e engolia tudo ali mesmo. Nesta mesma
noite na apresentação, Jim subiu no palco para curtir a banda que iria abrir
para eles (Jefferson Airplane), dançou e se contorceu como uma minhoca com
epilepsia e em pouco tempo desabou no chão acordando apenas no dia seguinte.
Nesta noite, Ray assumiu os vocais.
Houve vários outros incidentes incluindo prisões, processos
por atentado ao pudor e tentativa de homicídio, tudo isso associado ao excesso de álcool e
drogas. Consequentemente alguns shows foram sendo cancelados por receio dos
organizadores de que acontecesse alguma merda. E com isso os empresários
deixaram de investir na banda como antes.
Outro fato interessante sobre a vida de Jim é que ele casou com
uma Bruxa num verdadeiro ritual pagão. Quando Patricia Kennealy, a Bruxa,
perguntou a ele antes do ritual se teria algum problema em estar renunciando
tudo o que conhecia a respeito do cristianismo ele respondeu:
“- Problema nenhum, podem cancelar meu direito de
ressurreição”
Sua companheira desde o ínicio da banda foi Pamela Courson,
que o acompanhou até o fim. Neste período do casamento, não se sabe ao certo se
ele estava com ela ou se estavam separados. Jim nunca foi um exemplo de
parceiro fiel, na verdade.
Com a banda em crise, a vida de Jim totalmente exposta, com
tantos processos e problemas, o quarteto decide dar um tempo. Jim muda-se para
frança e lá morre por overdose, aos 27 anos ( Opa! já vimos este número anteriormente, não é mesmo?) no
dia 23 de Julho de 1971. Três anos mais tarde no dia 25 de Abril, também aos 27
anos, morre por overdose Pamela Courson.
Sem dúvidas, The Doors foi uma das primeiras bandas a apresentarem um estilo obscuro e sombrio. Os temas estranhos das letras, o visual de Jim (calças de couro, jaquetas e roupas pretas) e principalmente a postura desafiadora e contraventora, fizeram com que muitos jovens se interessassem por tudo aquilo que estava sendo dito e mostrado. Mas, nem só de escuridão viviam os Doors, além destes temas cabulosos, o quarteto também trazia em suas canções temas relacionados as drogas, putarias e coisas simples da vida. Como toda boa banda de Rock N Roll.
No próximo post da Série: A Fúria dos Deuses do Metal e A Escada Celestial.
Reza a lenda que havia uma pasta especial no FBI com o nome James Douglas Morrison.
O nome do Ritual do casamento pagão de Jim é Handfasting.
Conspiradores afirmam que Jim foi executado pelo FBI, outros que sua morte foi forjada pelo próprio Jim, mas o fato é que ele confundiu uma bolsa de heroína com uma de cocaína e enfiou o nariz onde não deveria.
A música Back Door Man, refere-se ao sexo anal.
A o termo Five To One, refere-se a dar um tapinha na macaca. Cinco dedos, para um baseado.
Muitas pessoas tatuam o rosto de Val Kilmer, por engano, acreditando ser de Jim Morrison. Esta confusão se dá graças a impecável atuação de Kilmer interpretando Morrison no filme The Doors, de Oliver Stone.
Após a morte de Pamela Courson, toda a fortuna de Morrison ficou para os pais de Pam.
Mr. Mojo Risin é um anagrama de Jim Morrison.
Patricia Kennealy, a Bruxa, possui um Blog e uma conta no Blogspot (o mesmo do Heresias), que você pode conferir aqui.
A o termo Five To One, refere-se a dar um tapinha na macaca. Cinco dedos, para um baseado.
Muitas pessoas tatuam o rosto de Val Kilmer, por engano, acreditando ser de Jim Morrison. Esta confusão se dá graças a impecável atuação de Kilmer interpretando Morrison no filme The Doors, de Oliver Stone.
Após a morte de Pamela Courson, toda a fortuna de Morrison ficou para os pais de Pam.
Mr. Mojo Risin é um anagrama de Jim Morrison.
Patricia Kennealy, a Bruxa, possui um Blog e uma conta no Blogspot (o mesmo do Heresias), que você pode conferir aqui.
Para quem chegou agora recomendo: Sobre o Rock e o Oculto, , Sobre o Rock e o Oculto Parde II e Sobre o Rock e o Oculto Parte III
To be continued...