terça-feira, 6 de setembro de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sobre os Demônios e o Inferno.




O conceito clássico de Inferno foi inserido em nossa cultura americana através da tradição grego/romana, aliada ao judaísmo. A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) fez um grande esforço para espalhar pelo mundo esta idéia, divulgando com toda força pinturas e histórias trevosas, causando medo e espalhando o terror por todos os lugares onde conseguissem chegar. A divulgação do inferno e da idéia do castigo eterno foram muito mais divulgados do que qualquer outro conceito adotado pela ICAR. Quem não obedecesse sem questionar TODAS as ordens da igreja, seria condenado em vida a morrer de alguma forma chocante (para servir como exemplo) e condenado em morte a passar o resto da eternidade queimando nos quintos dos infernos. Fizeram um ótimo trabalho de propaganda e divulgação e até hoje este lugar provoca calafrios em quem acredita.

Como já vimos em Sobre as Egrégoras, criações de formas-pensamento podem ser construídas e até mesmo cristalizadas. Partindo deste princípio, algumas tradições acreditam que lugares parecidos com este conceito de inferno se cristalizaram no planos astrais mais próximos à crosta da Terra. Supondo que uma só pessoa já é o suficiente para construir um templo astral e Imaginando o número de pessoas que vem durante séculos pensando, temendo e visualizando o inferno podemos ter uma idéia do quanto a coisa pode ter sido cristalizada.

De acordo com essas tradições algumas egrégoras formaram vários infernos, vai do gosto do freguês e todos são habitados principalmente por humanos desencarnados, no Espiritismo estes lugares são conhecidos como Umbral. Esses lugares de vibrações mais densas variam muito, podem ser lotados de desgraçados sendo chicoteados,torturados, pegando fogo, lugares frios, úmidos, escuros, com insetos nojentos, cidades com ruas e casas em ruinas, e até mesmo a eterna repetição solitária de um suicídio. Cada um tem o inferno que merece. Uma Pessoa que passou a vida temendo ou adorando o demônio e acreditando mesmo na existência de um Paraíso e de um inferno, após desencarnar não se julgando merecedora do paraíso, acaba indo parar nestas zonas mais baixas, junto a outras pessoas com mesmas afinidades vibracionais e de pensamentos.




Ser merecedor de determinado inferno tem mais a ver com a sintonia vibracional do que com pecados, culpas e definições humanas do que é certo ou errado, naturalmente uma pessoa que passou a vida causando problemas as vidas de outrem irá parar num lugar com vibrações semelhantes as que ele emanava e atraía. Dentro de cada um desses infernos encontramos pessoas desencarnadas que com o tempo acabam tomando conta do lugar (o inferno de um pode ser o paraíso de outro), se julgam mais fortes (e por alguns aspectos são mesmo) que os outros e assim acabam mandando na quebrada. Eles alteram propositalmente suas aparências para ficarem próximos das imagens que muitos temem, moldando neles feições bizarras, garras, chifres e tudo o que lhes der na telha. Depois seguem todos os requintes de torturas, perversões e crueldades para deixarem aquele inferno uma beleza. Logo estes líderes encontram outros maníacos de confiança que vão ganhando status e subindo de cargo, tal qual uma empresa.


Com o passar do tempo (dias, meses, anos, séculos...) o desafortunado que acabou caindo num desses lugares, percebe que aquilo é uma grande armadilha para prender os tolos que acreditam naquela realidade. Caindo à ficha ele automaticamente muda de vibração. Ao mudar o seu campo vibracional ele poderá seguir alguns caminhos, dentre estes caminhos os básicos são quatro:

1- Ficar por ali e ir subindo de cargo.
2- Seguir algum grupo de seres evoluídos para continuar na sua evolução natural em outros lugares.
3- Seguir um grupo de seres pseudo evoluídos e cair em outras armadilhas astrais.
4- Sair vagando por ai procurando respostas ou atormentando a vida de outros seres (vivos ou mortos).

Dos seres que auxiliam os despreparados podemos citar os Nirmânakáyas, os Magos, os Bruxos, Xamãs, seus discípulos e voluntários (encarnados ou não). Se você não leu a respeito dos seres astrais leia AQUI.

Muitos que saem dos infernos vagam pela terra em busca de lugares e ou pessoas vivas com a mesma afinidade vibracional, procurando por prazeres terrenos ou respostas sobre o que se passa. Quando descobrem que após a morte as coisas não são muito diferentes, e que nada daquilo que foi prometido em suas igrejas era verdade, acabam se frustrando pelo tempo perdido em vida, descobrem que foram tapeados e extorquidos e vão em busca de vingança.




Depois de um curso prático e intensivo de atormentos nos infernos, fica fácil o sujeito usar tudo o que aprendeu para seu benefício próprio. Então encontramos estes seres perturbando a vida de todos aqueles que abrirem as portas, aparecendo com formas assombrosas e bestiais, alimentando-se de emoções e energias de seres vivos. Podem atuar tanto em grupo quanto individualmente. Estes se aproveitam das histórias inventadas e ao se manifestarem se intitulam como Demônios, capetas, diabos e todos os nomes relacionados aos seres assombrosos que eles SABEM que vão causar medo, pois o medo aumenta suas forças e assim vão curtindo até decidirem mudar de postura. Conhecidos como Obssessores, Encostos, Vampiros astrais, Kiumbas, Seres Goéticos e vários outros nomes, são velhos frequentadores das igrejas, centros espíritas, seitas e tradições que sempre fizeram contatos, acordos e barganhas com estes miseráveis, “para o bem e para o mal”.




O inferno é uma criação humana, sempre houve e sempre haverá um arquétipo que nos remeta a este lugar. Diversas tradições do mundo trazem histórias e crenças a respeito de lugares que se assemelham ao inferno. Os Demônios, diabos e capetas também são criações humanas e todas essas coisas são figuras alegóricas que constelam nosso inconsciente coletivo, auxiliando a evolução da humanidade ao longo das eras. A ICAR fez o favor de demonizar tudo o que fizesse parte das outras religiões, Baal, Baco, Belzebu, Cernunnos, Exú, Kali, Loki, Lúcifer, Tupã e tantos outros associando suas características e imagens à figuras do mal personificado. Automaticamente todos os que adoravam os deuses pagãos, adoravam o Demônio. E por conta disso uma galera foi assassinada em nome de um Deus cheio de amor e misericórdia. O trabalho foi tão bem feito que isso continua até nos dias atuais(Se bem que hoje quem toma a frente disso são os evangélicos fanáticos).




Quando se encontrar num inferno, seja ele no PMD ou no Astral, saiba que há apenas uma maneira de sair, que é despertando-se da ilusão para que haja uma mudança vibracional. Procure coisas melhores e vá em busca de sua evolução. Mas se for pra ficar num inferno, que seja, mas que seja por SUA PRÓPRIA VONTADE. Sempre haverá alguém que prefira o paraíso pelo clima e o inferno pela companhia, Twain que o diga.




"O reino dos céus e o inferno estão ligados a sua demência permanente, eterno atrito ignorante"(Radiocarbono)



Então, era isso. Espero ter conseguido passar a bola!
Tenham todos um bom início, meio ou final de semana.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sobre as Mandrágoras.

Os feiticeiros da Idade Média acreditavam que as mandrágoras eram um tipo de meia-criatura entre o ser humano e o vegetal. Suas folhas reluziam à noite(por isso também eram conhecidas como velas do demônio) com um brilho estranho. Seus frutos e folhas exalavam um odor narcótico e sem igual. Sua raiz possuía a forma de uma pequena figura humana, com uma vida própria e esquisita, pronta para tornar-se o auxiliar de um mortal que tivesse coragem suficiente de tomar posse dela.



Porém tomar posse de uma mandrágora era uma ousadia repleta de perigos, porque ao ser arrancada da terra, ela soltava um grito tão assustador que aquele que o ouvia ficava insano ou caia morto no mesmo lugar.

Assim, o feiticeiro que desejava possuir uma mandrágora tinha que seguir um ritual no mínimo curioso:

Ao encontrar a planta, que geralmente crescia aos pés de um local sobre o qual estavam os restos mortais de um criminoso condenado a forca(debaixo de uma árvore ou cadafalso por ex.), o feiticeiro teria que ir buscá-la ao pôr-do-sol.


Sob os raios da luz do sol se pondo, ele tinha que desenhar três círculos ao redor da planta, tampava seus ouvidos com cera e se colocava contra o vento, para não sentir o odor narcótico da mandrágora.

Ele levava consigo um cachorro faminto e algum tipo de alimento, com o qual o cachorro poderia ser seduzido. Com uma barra de marfim ele soltava a terra ao redor da planta e cuidadosamente amarrava o cachorro a mesma, se afastava e mostrava o alimento para o cachorro, que em seguida corria ao encontro da refeição e assim puxava a planta da terra. Ao passo em que a planta era arrancada do solo o feiticeiro soprava uma trombeta o mais alto possível, para abafar o grito da mandrágora. O Cachorro, acreditavam, morria ali mesmo.


Assim, tendo conseguido arrancar a planta sinistra da terra, o feiticeiro envolvia-a em um pedaço de linho branco e poderia assim apressar-se pela escuridão que se formava tendo em mãos seu merecido prêmio.

Depois de colhida, separavam-se a raiz das folhas e de acordo com o propósito, eram manipuladas e ou consagradas em diferentes rituais para que determinado espírito possuísse a raiz assumindo assim o papel de auxiliar magístico de seu dono. Os cuidados com as mandrágoras variavam de acordo com o propósito ao qual elas serviriam, as mais cabulosas necessitavam de alimentar-se com leite, mel e sangue(do seu próprio dono), algumas eram vestidas com pequenas túnicas vermelhas com símbolos mágicos desenhados e, basicamente todas deveriam ser guardadas numa caixa envolta em seda e banhada quatro vezes ao ano com vinho. O liquido que sobrava após o banho possuía virtudes mágicas e poderia ser utilizados em feitiços.

Tantos mistérios rondam esta planta que mesmo nos dias atuais muitos a temem, muitos a desejam e poucos atrevem-se a arrancá-la do solo. São tantas lendas que a envolvem que as pessoas até duvidam de sua real existência. Mas não tenham dúvidas, esta planta escrota do capeta de fato existe.


 A verdadeira mandrágora, Atropa Mandrágora Officinarum, pertence a ordem de plantas Solanaceae, uma ordem muito conhecida entre as bruxas, feiticeiros, magos , xamãs, alquimistas e velhos hippies malucos. Desta mesma ordem também estão o Meimendro, a Dulcamara, o Estramônio e a Trombeteira (Aquela mesma da música do Ventania, da qual se faz um chá muito louco), todas com uma fama sinistra.

Por mais fantásticas que algumas histórias possam parecer, algumas destas antigas crenças sobre as mandrágoras são baseadas em fatos. A planta possui realmente uma raiz grande e gorda, que traz uma grosseira semelhança com a forma humana. Ela sem dúvida possui um perfume estranho, que alguns apreciam e outros detestam, e certamente ela possui propriedades narcóticas, alucinógenas, afrodisíacas e analgésicas. Na verdade a mandrágora é provavelmente o anestésico mais antigo utilizado pelo homem.


Nos tempos mais remotos, a raiz era utilizada para colocar os pacientes prestes a passar por uma cirurgia em estado de sono profundo, durante o qual as operações poderiam ser realizadas. A raiz era infundida ou fervida e um pouco era dado para o paciente beber, entretanto, tomava-se certos cuidados quanto à dose, porque quando usada em excesso poderia causar um sono do qual não se acordava mais. Outras vezes era usada apenas umedecendo um tecido para ser ministrada externamente.

A crença de que a mandrágora brilha a noite tem uma base de fato. Por alguma razão suas folhas atraem os vaga-lumes, e são essas pequenas criaturas, cuja luminescência esverdeada é muito impressionante, que fazem a planta brilhar na escuridão. Qualquer desavisado certamente poderia sentir-se assustado com a aparência da planta no escuro e achar que as antigas lendas sobre seus poderes diabólicos eram verdadeiras.


Até mesmo o grito temeroso pode ter ao menos um pouco de verdade de onde a lenda foi ganhando mais força. Essas plantas com raízes grandes e encorpadas geralmente crescem em lugares úmidos e quando são arrancadas da terra, soltam um ruído gritante (Claro que não tão alto quanto diziam). As lendas de pessoas que endoideciam têm mais a ver com o odor narcótico exalado pelas folhas na hora de arrancá-las do que com o ruído em si. Imaginem o sujeito já doidão com o cheiro da planta arrancando uma raiz que lembra um ser humano e que ainda grita. Quem consegue imaginar a cena também pode imaginar o que este mesmo sujeito poderia sair falando dessa situação.E claro, todos sabemos que "quem conta um conto aumenta um ponto".

Naturalmente todos os detalhes horrendos da lenda da mandrágora foram mantidos vivos por aqueles que vendiam as mandrágoras. As pessoas pagavam quantias exorbitantes por uma mandrágora em bom estado e com forma humana, e as guardavam como importantes talismãs. Muitos picaretas esculpiam em raízes formas humanas e vendiam como mandrágoras originais. Um antigo livro intitulado Thousand Notable, descreve passo a passo como fazer sua mandrágora falsa.

Mas nem todos preparavam as raízes apenas para vender e obter lucros, algumas tradições antigas de magos, alquimistas, bruxas e xamãs preparavam suas mandrágoras cuidadosamente e acreditavam de fato que elas poderiam abrigar um determinado espírito ou ter algum poder magístico, que os auxiliariam em suas práticas e rituais.Eram colhidas geralmente em noites de lua cheia sob a realização de alguma cerimônia ou ritual. Algumas tradições secavam lentamente a raiz em forma de homem em fogueiras ou em areia quente, o Balneum Arenae dos alquimistas.(Dai uma das origens da lenda do Homúnculo)


As mandrágoras secas e já consagradas (ou supostamente possuídas por algum espírito) eram passadas como relíquias ou amuletos aos membros de diferentes gerações de um determinado grupo ou família, sempre de forma secreta, principalmente na idade média, pois, adivinhem só o que acontecia quando os inquisidores achavam um bonequinho bizarro desses em sua casa?

A planta é citada na Bíblia em Gênesis na história de Lea 30:14 e também em Cantares de Salomão 7:13, só histórias estranhas. Também citada por Shakespeare em Romeu e Julieta. Acredita-se que o remédio que julieta usou para fingir estar morta tenha sido extraído de uma mandrágora. Muitos escritores flertaram com as lendas e as propriedades secretas das mandrágoras. É o caso por ex. de Platão em A República, Madame Blavatsk em A Doutrina Secreta, Maquiavel em A Mandrágora e Hans Heinz Ewers em Alraune( que significa mandrágora em alemão).

Hoje em dia ela ainda é usada como amuletos de sorte, prosperidade e proteção, é usada com fins magísticos e afrodisíacos, usadas também em doses seguras na fabricação de remédios homeopáticos e também usadas por algumas pessoas como droga recreativa. Podemos ver a caricatura desses homenzinhos estranhos em diversos filmes,livros jogos e desenhos. Como no filme de Guillermo Del Toro, O Labirinto de Fauno, no jogo de MMORPG Ragnarok e até mesmo nas histórias infantis de Harry Potter.


Existem coisas que o tempo não consegue apagar da memória das civilizações. São as lendas, os mitos, os símbolos, as tradições e tantas outras coisas significativas que compõe nosso Inconsciente Coletivo. E acreditem, isso tem um bom motivo.

Então era isso! Espero ter conseguido passar a bola.
Tenham todos um ótimo inicio, meio ou fim de semana!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Relações entre a mitologia grega e o cristianismo

ESTE POST É DE UM COLABORADOR DO BLOG, POSSO DISCORDAR DAS IDÉIAS AQUI ESCRITAS, MAS DEFENDEREI ATÉ A MORTE O DIREITO DE SEREM POSTADAS.(HEREGE)


Esse post tem a finalidade de demonstrar de modo básico como a cultura grega em diversos momentos se assemelha à cultura bíblica, mostrando diversos aspectos da cultura grega que parecem-se extremamente com a judaico-cristã. Quem assistiu Zeitgeist sabe que muitas narrativas bíblicas foram adaptadas de e por outras culturas. E isso não é nada condenável ou inexplicável, visto que essas civilizações desenvolveram-se em um perímetro muito limitado. Para chegar no ponto onde quero, irei explicar um pouco de como se organizaram essas civilizações (como disse HEREGE nos comentários, essas não são as primeiras civilizações - podem surgir posts futuros sobre essas).

Com o surgimento da agricultura, os povos, que estavam se tornando sedentários, precisavam de um local fértil para garantir a produção agrícola durante o ano todo, já que a caça e pesca estavam cada vez mais caindo em desuso, por causa da domesticação de animais para consumo. Sendo assim, alguns agrupamentos humanos foram surgindo, e entre os que viveram e lutaram pela mesopotâmia, destaco os acádios, persas, egípcios, caldeus, babilônicos, e os hebreus (de origem judaica - a mesma da religião), entre outros. Quem ler a bíblia verá a influência de todos esses povos na história dos próprios hebreus, como por exemplo a dominação egípcia na época de Moisés, o domínio Babilônico séculos mais tarde, a libertação dos Hebreus pelo povo Persa... Enfim... como estavam todos em um território muito próximo e disputado, não é para menos que um povo conquistasse o território do outro rotineiramente. Essa conquista acaba por gerar misturas culturais, e muitas vezes religiosas. Na bíblia existem inúmeras referências de combate à Idolatria ou à miscigenação de povos - que por sinal era um risco muito grande para a preservação da cultura dos mesmos. Essa é apenas uma introdução àquilo que se viu em Zeitgeist com relação à referências de personagens e narrativas tidas como cristãs em outras culturas.


Bom... paralelo a isso, existiam outras culturas fixadas em outros cantos da Europa, África e Ásia. Como os asiáticos não tiveram relações com os europeus e africanos, sua cultura foi totalmente diferente, como vemos em todas as manifestações orientais, como o Budismo, Hinduísmo, entre outras, que se mantém distantes, sob certa ótica, das ideias e cultura ocidentais.

Os gregos, em especial, são o povo que eu procuro estudar mais a fundo nessa postagem. Para isso, é necessário entender como se deu o desenvolvimento de sua cultura. Os gregos, assim como outros povos, recorreram à mitologia para explicar fenômenos e divindades. Como, por exemplo, o surgimento de alguns animais (como Quelone, que por sua preguiça foi transformada em tartaruga), ou a instauração do mal sobre a terra (quem não ouviu sobre a caixa de Pandora, né...). Essas narrativas serviam para explicar o mundo. Assim como explica-se que chove porque é vontade de Deus. Essas explicações não abrem espaço para dúvidas nem intervenções, são suficientes em si. Duvidar é blasfêmia. Mas os gregos, diferentemente de outros povos, desenvolveram a ciência e a filosofia, fazendo cair em desuso a mitologia, e focando suas atenções no homem. Isso é claro ao analisar-se a arte produzida por eles. Na era mitológica, a arquitetura se fortaleceu, com a construção de templos e oráculos. Na lógus, período onde a filosofia e ciência instauraram-se, o homem passou a ser o centro da atenção, com vemos na estatuária e nos ornamentos relativos à jogos olímpicos, por exemplo.

Entretanto, as outras culturas, em sua maioria, ignoraram a razão humana, e continuaram pensando o mundo de maneira ideológica, com olhos apenas na religiosidade. Seriam necessários vários posts para mostrar como Roma tomou a Grécia, como o Cristianismo e o politeísmo dessa cultura se chocaram e provocaram sua queda, como ocorreu a Idade Média. Mas por hora é suficiente mostrar um fato: a ciência só passou a ser valorizada e praticada após o Renascimento, quando as ideias cristãs praticadas durante toda a Idade Média caíram por terra, substituídas pelas ideias gregas que Renasceram (Renascimento). Se a insistência na mitologia cristã não tivesse sido tão rígida, teríamos uma civilização muito evoluída atualmente. Evoluída mil anos a frente. Exato. A Idade Média, onde a ciência era perseguida, a alquimia punida, a filosofia e astronomia castigadas, foi um período negro, que durou mais de 900 anos, onde apenas as ideias do papa eram respeitadas, e todas as outras passíveis de fogueira.

Para compreender como o mundo é hoje, precisamos olhar para o passado e ver que a maioria das religiões surgiram de um mesmo ponto: a necessidade. Entretanto, os limites da religiosidade não foram devidamente respeitados. A procura pelo interior, o humano enquanto divindade, foi negado. O Homem é muito importante no mundo, e esse precisa encontrar-se como tal. Olhar para dentro de si, negando-se a digerir tudo o que lhe é jogado. Os gregos assim fizeram, e se seu pensamento se mantesse, ou pelo menos se transformasse e evoluísse, o mundo hoje provavelmente seria outro: mais aberto, mais desenvolvido, talvez mais humano.

Em outro post irei disponibilizar algumas narrativas da mitologia grega, para contrastar com a cultura judaico-cristã. Muitas coisas são extremamente parecidas. E também procurarei pontuar alguns pontos comuns de culturas mesopotâmicas com a judaico-cristã. Quanto a esse último, não irei aprofundar muito, pois várias ideias já estão expressas em Zeitgeist. Recomendo para quem não assistiu ainda. É um excelente documentário para compreendermos de fato aquilo que ouvimos desde crianças em nossos lares e igrejas.

Um grande abraço!