sábado, 6 de abril de 2013

Sobre o Rock e o Oculto. PARTE IV - O Rock Xamânico e as Portas da Percepção.


Nos primórdios os seres humanos sentiam-se frágeis perante as forças da natureza e temiam tudo aquilo que não conseguiam explicar ou o que fosse desconhecido, um evento das forças da natureza, uma doença, ou mesmo um encontro com indivíduos de outros clãs.


Para mediar estas carências, foram surgindo indivíduos peculiares que com sabedoria e coragem iam ao encontro do desconhecido para posteriormente explicar, acalmar e orientar os demais, uma espécie de "organizador do caos".  Assim surge o Xamã.

A palavra xamã tem sua raiz na Sibéria, vinda da palavra "saman", aparentado com o termo sânscrito "sramana" que significa: inspirado pelos espíritos.

O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir a pessoas de uma grande variedade de culturas, também chamados de bruxos, feiticeiros, curandeiros, videntes, sacerdotes, pajés, homens de cura, conselheiros, contadores de estórias, líderes espirituais e outros.

Defini-se o xamanismo como um conjunto de crenças ancestrais que estabelecem contato com uma realidade oculta, ou estados especiais (alterados) de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio saúde para si mesmo e para as pessoas.

O xamã, não se autoproclama. Ele é chamado para suas tarefas espirituais, passa por treinamentos e então é reconhecido pelas pessoas de sua comunidade. A iniciação tem um fundamento nas bênçãos recebidas pelos instrutores que passam uma espécie de "autorização espiritual" para conduzir cerimônias. Isso é honrar o conhecimento e não usurpar, e nem banalizar o processo de iniciação espiritual. Trata-se de um sacerdócio. É uma missão de utilidade pública.

Sua vocação é demonstrada por perturbações no comportamento ( loucura controlada), vem também por transmissão hereditária, por decisão pessoal onde passa por provas (jejuns, recolhimentos, sacrifícios corporais...) ou é eleito pelo clã. Iniciado pelos espíritos tem uma vivencia de morte simbólica para posterior ressureição. Permanece dias em locais isolados sem falar, comer, e, quase sem respirar. Geralmente conta em suas provas, ao regressar de sua viagens que seus ossos foram arrancados, sua carne raspada, tem a cabeça decepada, isto é o coma iniciático. Ele deve morrer em seu corpo terrestre para renascer em corpo astral. Esqueletos de pessoas, pássaros ou animais, são alguns dos ornamentos dos siberianos. Simboliza o tempo do nascimento do xamã - meio homem - meio animal.

Os xamãs carregam o conhecimento espiritual e da vida, passados oralmente, lembrando a sabedoria dos antepassados. Eles conduzem os ritos de passagem, encorajam a comunidade para enfrentar os desafios, aglutinam a consciência comunitária, criando uma identidade grupal. O xamã é um especialista do Sagrado. Ele é capaz de mover-se entre os diversos estados de consciência. O xamã é uma pessoa que trabalha em Estado Alterado de Consciência ( estado extático, transe, estado transcendente - onde a pessoa percebe uma "realidade incomum".) e deve conhecer os métodos básicos para realizar esse trabalho. Os xamãs são grandes conhecedores da floresta, das propriedades das plantas, das estrelas, dos 4 elementos da natureza e dos animais.


Em 1947 um pequeno jovem com 4 anos de idade presenciou um acidente numa rodovia do Novo México, que anos mais tarde, viria a descrever como uma das experiências mais significativas que teve durante toda sua vida:

“A primeira vez que descobri a morte… eu, os meus pais e os meus avós, íamos de automóvel no meio do deserto ao amanhecer. Um caminhão carregado de índios, tinha chocado com outra viatura e havia índios espalhados por toda a auto-estrada, sangrando. Eu era apenas uma criança e fui obrigado a ficar dentro do automóvel enquanto os meus pais foram ver o que se passava. Não consegui ver nada – para mim era apenas tinta vermelha esquisita e pessoas deitadas no chão, mas sentia que alguma coisa se tinha passado, porque conseguia perceber a vibração das pessoas à minha volta, então de repente apercebi-me que elas não sabiam mais do que eu sobre o que tinha acontecido. Esta foi a primeira vez que senti medo… e eu penso que nessa altura as almas daqueles índios mortos – talvez de um ou dois deles – andavam a correr e aos pulos e vieram parar à minha alma, e eu, apenas como uma esponja, ali sentado a absorvê-las”.

Desde então, Douglas afirmou diversas vezes que um velho índio Xamã o acompanhava por onde quer que fosse.

Anos mais tarde, Douglas desenvolveu um gosto para leitura exageradamente incomum para um jovem de sua idade. Devido as constantes mudanças de cidades e escolas, por conta da profissão de seu pai (Almirante da Marinha), não conseguia estabelecer um vinculo e um ciclo de amizade natural como os outros garotos, se tornando cada vez mais introspectivo e tendo como única diversão a leitura.  Aos 15 anos já havia sido influenciado por Friedrich Nietzsche, Arthur Rimbaud, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti, Charles Baudelaire,Molière, Franz Kafka, Honoré de Balzac, Jean Cocteaue , junto com a maioria dos filósofos existencialistas franceses.

Aos 18 anos de idade seus pais o enviaram para Flórida para concluir os estudos no St. Petersburg Junior College, onde morou um ano com seus avós. Neste período Douglas descobriu e aprendeu a gostar da vida boemia ouvindo músicas eruditas Clássicas, Jazz e o Delta Blues.

No ano seguinte iniciou os estudos na Florida State University, onde estudou dentre outras coisas Filosofia, Psicologia e Teatro. Porém estava determinado a estudar cinema e o que o impedia era a não autorização de seus pais, já que mesmo sendo maior de idade ainda dependia financeiramente dos mesmos. Aos 21 anos conseguiu finalmente convencer seus pais a iniciar seus estudos na UCLA e com isso sua vida iria literalmente virar uma doidera.

Durante sua graduação Douglas, como todo bom universitário, expandiu suas habilidades em consumir álcool e experimentar novos caminhos entorpecentes. Não era raro encontra-lo nas melhores algazarras, bebendo, fumando e usando tudo quanto fosse tipo de substancias suspeitas. Comia qualquer coisa digerível e dormia nos sofás das casas dos amigos, nas varandas, nos quintais e nos telhados. Nos telhados!

Neste período, além das chapações, Douglas continuou sendo um devorador de livros. Por acreditar numa conexão espiritual com um velho índio, buscou ler assuntos relacionados ao Xamanismo, consequentemente caiu nas literaturas Ocultistas e quase que ao mesmo tempo entrou de cabeça nos materiais de Huxley e de todos os outros escritores obscuros da geração Beat.

Em 1965 ao se formar em Cinema, podemos assim dizer, o cara despirocou de vez. Ele decidiu não aparecer em sua colação de grau por conta de desentendimentos com professores e alguns colegas de sala. Cortou todas as ligações que tinha com a família, chegando a queimar os cheques que seus pais lhe enviavam. Passou a morar e comer de favor nas casas dos amigos, conhecidos e também desconhecidos. E devido a esta circunstância nada rotineira, abandonou o habito de trocar de roupa e tomar banho. Nesta época na Califórnia, consumir drogas e álcool não era algo muito difícil, então Douglas não teve dificuldade em manter seu estado de chapação eterna. Neste momento aconteceu sua primeira prisão por desordem.

Assistindo a um jogo de futebol completamente bêbado, endoideceu, bagunçou o coreto e logo foi em cana.

Num outro momento, passeando chapadamente na praia de Venice, Douglas encontrou um de seus colegas de curso, os dois já não se encontravam há um tempo e então começaram a conversar sobre as coisas que estavam fazendo. Douglas falou a respeito de algumas poesias e musicas que escrevera e assim seu amigo teve a ideia de montar uma banda. Chamou mais dois amigos malucos e assim forma-se o quarteto James Douglas Morrison, Raymond Daniel Manczarek Jr, John Paul Densmore e Robert Alan  Krieger, mais conhecidos como Jim Morrison, Ray Manczarek, Jhon Densmore e Robby Krieger. The Doors.

Da direita para esquerda:  Jim, Ray, Robby, Jhon.


“If the doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite.”
(William. Blake)

Esta citação, feita por Blake,  está no livro de Huxley “As Portas da Percepção” onde o autor fala a respeito de suas experiências com a mescalina. Todos os integrantes da banda já haviam entrado em contato com as drogas alucinógenas, em especial o LSD, e todos viviam um momento extremamente psicodélico. Jim era o principal letrista da banda e por isso a maioria das músicas possuem temas ocultistas, devido a influencia que Jim absorveu de seus autores favoritos.  Todos os integrantes faziam ideia do que estava sendo falado, mas apenas Jim sabia exatamente a que se referia.


Muitas das letras de Jim possuíam referencias ocultistas e nos shows ele tinha a capacidade de entrar em transe com o auxilio de drogas psicoativas. Era comum vê-lo dançando como um índio em suas apresentações e houve momentos em que os integrantes da banda, assim como alguns espectadores, viram claramente um velho índio dançando junto com ele, que do nada desaparecia. (É, naquela época o fumo deveria ser realmente do bom).


Abaixo de Jim, nesta foto da contra capa do album 13, o busto de Mr. Crowley

Durante um bom tempo, todos os integrantes estavam na mesma sintonia lisérgica, costumavam beber, se divertir e usar juntos seus alucinógenos compartilhando assim de suas insanidades. Durante este período o quarteto estava em total harmonia. As apresentações do Doors eram imprevisíveis, a performance de Jim nos palcos, acompanhada do ritmo hipnotizante da banda, inspirava e incitava o público à loucura total. Alguns espectadores comparavam o show do Doors como uma experiencia religiosa, mas  muitas vezes os shows se tornavam um verdadeiro caos. A partir deste momento, começou a brotar grana do chão para os caras.

Acontece que, diferentemente do restante do grupo, Jim era uma pessoa de extremos e cada vez mais buscava uma forma de ir além, chegando a atrapalhar as apresentações da banda. Como aconteceu em 1968 em Amsterdã, ao chegarem à cidade foram dar uma volta pelas ruas, os malucos da região iam cumprimentá-los e dar as boas vindas ao melhor estilo europeu. Além de abraços e beijos davam também cogumelos, LSDs, baseados e o que mais tivessem em mãos. Todos aceitavam com grande alegria, Jhon, Ray, e Robby davam uns tapinhas e guardavam o restante para mais tarde, já Jim  usava e engolia tudo ali mesmo. Nesta mesma noite na apresentação, Jim subiu no palco para curtir a banda que iria abrir para eles (Jefferson Airplane), dançou e se contorceu como uma minhoca com epilepsia e em pouco tempo desabou no chão acordando apenas no dia seguinte. Nesta noite, Ray assumiu os vocais.


Houve vários outros incidentes incluindo prisões, processos por atentado ao pudor e tentativa de homicídio,  tudo isso associado ao excesso de álcool e drogas. Consequentemente alguns shows foram sendo cancelados por receio dos organizadores de que acontecesse alguma merda. E com isso os empresários deixaram de investir na banda como antes.

Outro fato interessante sobre a vida de Jim é que ele casou com uma Bruxa num verdadeiro ritual pagão. Quando Patricia Kennealy, a Bruxa, perguntou a ele antes do ritual se teria algum problema em estar renunciando tudo o que conhecia a respeito do cristianismo ele respondeu:

“- Problema nenhum, podem cancelar meu direito de ressurreição”

Sua companheira desde o ínicio da banda foi Pamela Courson, que o acompanhou até o fim. Neste período do casamento, não se sabe ao certo se ele estava com ela ou se estavam separados. Jim nunca foi um exemplo de parceiro fiel, na verdade.

Com a banda em crise, a vida de Jim totalmente exposta, com tantos processos e problemas, o quarteto decide dar um tempo. Jim muda-se para frança e lá morre por overdose, aos 27 anos ( Opa! já vimos este número anteriormente, não é mesmo?) no dia 23 de Julho de 1971. Três anos mais tarde no dia 25 de Abril, também aos 27 anos, morre por overdose Pamela Courson.


Sem dúvidas, The Doors foi uma das primeiras bandas a apresentarem um estilo obscuro e sombrio. Os temas estranhos das letras, o visual de Jim (calças de couro, jaquetas e roupas pretas) e principalmente a postura desafiadora e contraventora, fizeram com que muitos jovens se interessassem por tudo aquilo que estava sendo dito e mostrado. Mas, nem só de escuridão viviam os Doors, além destes temas cabulosos, o quarteto também trazia em suas canções temas relacionados as drogas, putarias e coisas simples da vida. Como toda boa banda de Rock N Roll.




No próximo post da Série:  A Fúria dos Deuses do Metal e A Escada Celestial.


Reza a lenda que havia uma pasta especial no FBI com o nome James Douglas Morrison.

O nome do Ritual do casamento pagão de Jim é Handfasting.

Conspiradores afirmam que Jim foi executado pelo FBI, outros que sua morte foi forjada pelo próprio Jim, mas o fato é que ele confundiu uma bolsa de heroína com uma de cocaína e enfiou o nariz onde não deveria.

A música Back Door Man, refere-se ao sexo anal.

A o termo Five To One, refere-se a dar um tapinha na macaca. Cinco dedos, para um baseado.

Muitas pessoas tatuam o rosto de Val Kilmer, por engano, acreditando ser de Jim Morrison. Esta confusão se dá graças a impecável atuação de Kilmer interpretando Morrison no filme The Doors, de Oliver Stone.

Após a morte de Pamela Courson, toda a fortuna de Morrison ficou para os pais de Pam.

Mr. Mojo Risin é um anagrama de Jim Morrison.

Patricia Kennealy, a Bruxa, possui um Blog e uma conta no Blogspot (o mesmo do Heresias), que você pode conferir aqui.


To be continued...


terça-feira, 26 de março de 2013

Sobre a Páscoa e o Paganismo.

Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?



A Páscoa judaica era constituída de dois feriados distintos: Chag ha’Pessach, a Festa do cordeiro Pascal, e Chag ha’Matzot, a Festa dos Pães Ázimos, ambos eram observados muito antes das traumáticas experiências dos judeus no Egito. Nos tempos antigos, quando a maioria dos hebreus vivia no deserto como pastores nômades, as famílias celebravam a chegada da Primavera oferecendo um sacrifício (pessach, o cordeiro pascal). Mais tarde, instituiu-se outro feriado na Primavera, de caráter agrícola: Chag ha’Matzot, quando os lavradores na Palestina comemoravam o início da colheita de trigo desfazendo-se de toda massa.  



De acordo com a ICAR, Páscoa ou Passach do hebraico, significando passagem através do grego é um evento religioso cristão, considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da Cristandade Católica. Na Páscoa os cristãos católicos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo. depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido nesta época do ano em30 ou 33 dC. A Páscoa pode cair em uma data, entre 22 de março e 25 de Abril O termo pode referir-se também ao período do ano canônico que dura cerca de dois meses, desde o domingo de Páscoa até ao Pentecostes. Neste período é comum entre os católicos celebrarem a Páscoa presenteando os entes queridos com Ovos de Chocolate e exaltando a figura de um coelho fofo que é o responsável pela fabricação destes ovos.

E como estes ovos e coelhos foram parar no meio disso? Graças a velha mania da Igreja Católica de Cristianizar tudo e todos. Então, vamos as Heresias:


Nas mitologias Anglo Saxã, Nórdica e Germanica temos uma figurinha muito interessante, a Deusa da Fertilidade Oestre, Ostre, Ostara ou Ostera que era representada através de alguns símbolos, como os Ovos e a Lebre. Os ovos são símbolos da fertilidade e da reprodução que eram pintados com vários símbolos mágicos (geralmente os mesmos que estão nas Runas) e lançados ao fogo ou enterrados como oferendas à Deusa. Já a Lebre era um símbolo de renascimento e ressurreição, sendo animal sagrado para várias deusas lunares. As sacerdotisas destas Deusas realizavam um ritual curioso, utilizavam as entranhas de lebres sacrificadas como oráculos para preverem acontecimentos importantes para uma pessoa, família ou povoado. Ao realizarem este ritual, entoavam palavras mágicas em forma de canção que seria algo mais ou menos assim: "Lebre de Oestre, que sorte suas entranhas trazem para mim?" Isso lembra uma outra canção não é mesmo?

A lebre de Eostre segundo as Secerdotizas poderia ser vista na Lua cheia. De seus cultos pagãos originou-se as tradições da Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações judaico-cristãs. 

Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (o planeta Vênus). É uma Deusa anglo-saxã, teutônica, da Primavera, da Ressurreição e do Renascimento. Ela deu nome ao Sabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara. 

Percebendo a importância desta tradição Pagã, a ICAR acrescentou umas coisinhas aqui, outras acolá e agregou a sua própria "tradição". Com isso, novamente percebemos como uma tradição que nem de longe lembra o J. Cristo, foi distorcida de acordo com os interesses da Igreja, pra variar.

Então era isso, espero ter conseguido passar a bola.

Tenham todos um bom início, meio ou final de semana.


Ps: Para quem tiver interesse em fazer algo realmente importante na Páscoa, Sefirat Ha Omer
Ps2: Para saber mais,  Del Debbio

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sobre o Bizarro Inconsciente Virtual - Deep Web.

De acordo com algumas teorias da Psicologia, possuímos algo complexo que nos auxilia a viver em sociedade, assimilando regras, seguindo padrões e identificando sinais para que assim seja possível nossa convivência com todos os outros seres e coisas que estão a nossa volta, a  Psique.

A psique abrange todos os pensamentos, sentimentos e comportamentos tantos os conscientes quanto os inconscientes. Funciona como se fosse um guia que regula e adapta o individuo ao ambiente social.




A Psique é constituída de vários níveis e sistemas diversificados e interatuantes. Podem-se se distinguir 2 níveis da Psique: O Consciente e o Inconsciente ( Que é subdividido em Pessoal e Coletivo, mas isso não vem ao caso. Fica pra outro dia).


A parte consciente é basicamente tudo o que está acessível a qualquer momento em sua memória. Seu nome, o numero de seu telefone, o sabor de um alimento e tantas outras coisas. Uma informação pouco utilizada pode ser guardada no inconsciente e assim que necessário pode vir a tona. É o caso do nome daquele conhecido que você raramente vê ou encontra, você faz uma busca e logo a informação está no seu consciente. Mais ou menos quando você precisa lembrar-se do nome da rua daquele bar e vai no Google para conferir.


Dentro do inconsciente temos  também informações que não estão acessíveis a qualquer momento e poderão nunca estar. Por algum motivo esta informação é bloqueada e só poderá emergir a consciência sem causar danos quando o individuo possuir uma estrutura para  suportar e ou assimilar a informação. Pode ser a lembrança de uma experiência traumática, a percepção de uma mania ou tique, uma imagem, ou até mesmo descobrir o porquê de não gostar de determinada cor.  Quando estas informações são acessadas de forma natural, o individuo poderá até manifestar algum sofrimento, mas nada que ele não esteja pronto para agüentar. São informações que nosso Google mental não pode conseguir a qualquer momento, mas há uma maneira de burlar o sistema e ir mais a fundo na busca. Estas informações podem ser extraídas de forma não natural através do uso de determinadas substancias entorpecentes, por hipnose, por sugestão, ou mesmo por alguma doença. Se estas informações/ imagens/ experiências/ sentimentos/ lugares  forem acessados sem o individuo estar preparado, o mesmo estará com sérios problemas.


Sabem aquela história do sujeito que tomou um chá suspeito e nunca mais voltou da viajem? É este o caso referido. O maluco entrou tão profundamente no seu inconsciente que acabou encontrando ou sendo encontrado por coisas que não deveria nem mesmo chegar perto.


Agora imaginem algo semelhante a isso tudo acontecendo neste exato momento no mundo virtual. Imaginem que o Google não possa encontrar tudo o que há na net, mas se conseguirmos um chazinho destes bem loucos entraremos em contato com coisas das quais nunca imaginamos. Pois bem, isto é perfeitamente possível. A partir de agora você irá conhecer o Inconsciente virtual. Bem vindos a Deep Web.




Parece coisa de  filme de ficção, mas do que estamos falando agora é um desafio para a polícia de todo mundo, a Deep Web ou  Web oculta, é um mistério que provavelmente poucas pessoas ouviram falar  e é algo para deixar todos de olhos bem abertos, isso porque a Deep trata-se de um lado da internet que você não tem acesso, pois quem a criou fez com que seus sistemas trabalhassem no anonimato, uma vez que, nem com o Google ou qualquer outro buscador você consegue acessá-la. Já o lado acessível ou o “consciente” da internet é chamado de Surface Web,  que representa apenas 10% de todo conteúdo da internet.


A partir de agora recomendo as pessoas sensíveis a não prosseguirem, as imagens que irão aparecer não são nada agradáveis.


 Os  conteúdos da Deep encontram-se em grande parte nos fóruns, que são salas virtuais onde pessoas discutem determinado assunto. Dentro deste universo é mostrado crimes como tráfico internacional de pessoas, de drogas, fetiches bizarros, pedofilia , canibalismo,tutoriais de qualquer tipo de coisa escrota que você possa imaginar e tudo o que for digno de ser feito as escondidas . 

Estes fóruns são responsáveis por diversos eventos internacionais, como por exemplo, um caso famoso na Alemanha, em que uma mulher que havia sido esquartejada, no julgamento do assassino, ele confessou que a vítima havia pedido seu  assassinato, inclusive, descrito como gostaria que fosse executado. Para provar, o homem mostrou para os policiais o site ao qual ela havia realizado tal proeza e,a partir deste dia foi constatado a existência da Deep Web para os policiais.


Hoje fóruns como este de esquartejamento, canibalismo e muitos outros atos horríveis são comuns neste espaço da Deep, sendo que muitos se manifestam e marcam encontros, alguns cortam seus membros e enviam fotografias para que as pessoas possam ver e aprovar sua participação no clube. Um exemplo muito conhecido  é a página “Penis Panic!” em que é possível encontrar imagens de mutilação genital.



Dentro deste universo vemos muitos crimes hediondos serem praticados com consenso e, não podemos fazer nada. Um que chama muito atenção são os assassinos virtuais, onde estes criam seus websites ONION para divulgarem seus trabalhos e, o modo como é tratado o serviço é tão frio que, parece que estamos lidando com brinquedos. Os preços variam de acordo com a importância da vítima e, depende do assassino, pois cada um tem a sua tabela, mas sempre há a possibilidade para todos, pois como todos os profissionais dizem: “Sempre procuramos ser flexíveis quanto ao nosso cliente”.  




De todas as coisas escrotas que surgem na Deep, sem dúvida as mais curiosas se tratam das Fotos Bizarras de lugares, seitas e seres estranhos. São fotos tiradas sabe-se lá por quem e onde,  muitas sem qualquer tipo de lógica. O que nos rendem imagens no mínimo perturbadoras.















 A idéia da Deep Web surgiu de forma anônima na China, a proposta seria navegar em sites que o governo – através de seu provedor – bloqueia a entrada no país, para isso os desenvolvedores criaram uma matemática complexa e, até hoje é conhecida como o mais bem elaborado software de Proxy do mundo, batizada de TOR. O The Onion Router hoje é mantido por contribuições anônimas, programadores voluntários de diversos lugares do mundo tem exercido melhorias significativas no software, mas o que vem por bem, acaba se tornando o mal, a rede que inicialmente era base de auxílio para quebrar a ditadura imposta pelo governo chinês, tornou-se objetivo de mentes criminosas, pois o anonimato sempre foi muito visado pelos desenvolvedores, pois quem burlasse o sistema chinês, poderia ser preso.


Com um software de última tecnologia e milhares de computadores voluntários, a rede TOR é muito grande, porém não chega a ter a totalidade da Deep, representando apenas 26% deste gigantesco número. Mesmo neste contexto, a rede é muito importante por ter sido a incentivadora da criação de diversas redes de acesso clandestino e, por ser a rede com a maior acessibilidade da internet, pois para adentrá-la basta apenas que o usuário baixe o discador no website do projeto.





Dentro de redes como o TOR, temos diversos fóruns e sites de discussões que os próprios usuários chineses criavam para interagir entre eles na rede, porém com o passar do tempo é que esta rede criou um aspecto mais negro,  e deu na merda que deu.Todos estes fóruns e websites são encontrados com facilidade na rede TOR através de mecanismos internos de buscas e páginas que divulgam seus links, uma das mais conhecidas páginas por indexar todos os links da Deep Web é a famosa “The Hidden Wiki”, chamada assim por ser uma enciclopédia da rede TOR, pois contém todas as informações de sites que estão em funcionamento na rede e, exibe as notícias dos principais acontecimentos, além de possuir tutoriais e explicar algumas analogias usadas entre os frequentadores.


Para não deixar de fora as poucas coisas boas da Deep, citemos sites como o WikiLeaks (famoso site que divulgou documentos sigilosos do governo dos EUA), Anonymous e The Pirate Bay surgiram na Deep Web, pois, como estavam nascendo e precisavam de força, eles usaram um meio mais seguro para trazer seus projetos para a internet e, depois levar à Surface Web. Detalhe que quando o WikiLeaks estava na Deep Web, o governo dos EUA não ligava para eles, mas assim que passaram à Surface Web, tornou-se um grande empecilho ao governo e assim que surgiu a guerra.


De qualquer maneira, aos poucos os frequentadores da Deep vão trazendo os materiais para a superfície. É o caso destas imagens que foram postadas. Provavelmente já estão em outros sites e Blogs pela Surface.


Colocando na balança, a Deep Web e o seu Inconsciente não são lugares seguros para curiosos. Podem prejudicar sua mente e seu PC. Pensem  na quantidade de vírus e coisas estranhas que vagam por lá. Sem contar a possibilidade de você poder ser preso por ter clicado em algo que não deveria.


Mas em fim, cada um é livre para fazer o que quiser, não é mesmo?



Bom, era isso. Espero ter conseguido passar a bola.

Tenham todos um excelente início, meio, ou final de semana.



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sobre o Rock e o Oculto. PARTE III - O Skifle , Leary e As Pedras Que Rolam




Em 1960, mais do que uma geração hippie e uma revolução musical, houve de fato uma revolução de consciências, abalando as estruturas familiares e o conceito de “vida decente” da sociedade conservadora. Os principais pilares desse movimento foram Bob Dylan, os Beatles e os Rolling Stones. Todos eles influenciados pelo Jazz, o Country e o Blues. Por isso, falar de qualquer um desses três obriga também a falar em influencias de um contexto social]. Muito antes da entrada da filosofia, da literatura e do ocultismo hermético no mundo do Rock, as influencias musicais foram determinantes para que tudo chegasse ao ponto certo. A chave propulsora para tudo isso se chama Skiffle.


As origens do skiffle são obscuras, mas geralmente associadas a cultura musical Afro-Americana no início do século XX. Muitos afirmam que o Skiffle nasceu em New Orleans onde muitos negros e moradores rurais se divertiam fazendo um som característico, uma mistura do Delta Blues com o Country music, somados a instrumentos improvisados, sugerindo as primeiras formações de bandas de Skiffle, mesmo que eles não se denominassem assim. São utilizados instrumentos como tabuas de lavar roupas, jarros, Baixos rústicos feitos com baldes, caixas de charutos, serrote, apitos, e também os instrumentos mais convencionais como violão e banjo. O termo Skiffle inicialmente era uma das gírias utilizadas pelos negros e moradores da zona rural para referirem-se a um pequeno evento musical cheio de bebidas e rangos com o objetivo de levantar algum dinheiro] para ajudar alguém da comunidade, ou os próprios moradores da residência ou fazenda onde estava acontecendo a festa (Levantando grana para pagar o aluguel, por ex.). O termo também era utilizado para denominar aquele momento da festa em que alguém pede uma colaboração a todos para comprar] mais bebidas. A nossa conhecida “Vaquinha”. O primeiro som do estilo a ser gravado na História foi em Chicago, na década de 1920, provavelmente levado para lá com parte da migração Afro-Americana para o norte, nas cidades industriais.

O primeiro uso do termo registrado oficialmente foi em 1925 por Jimmy O´Bryant. Muitas vezes o termo era associado aos Estados do Blues. Registros posteriores mostram também a compilação "Hometown Skiffle" (1929), e "Skiffle Blues" (1946) por Dan Burley & Seus Garotos do Skiffle. O termo Skiffle desapareceu da música americana em 1940. Nesse período o Skifle havia atravessado o Atlântico, se tornado uma mania entre músicos durante décadas a fio. Em 1950 a popularidade do Skiflle estava tamanha que praticamente todas as crianças Inglesas almejavam uma banda do estilo, e com o lançamento do filme Rock Around The Clock(1956) o bagulho começou a ficar sério.



Um ano antes, em 1955 um garoto chamado Lewis Brian Hopkin-Jones estudante~ de música clássica, entrou em contato com o Jazz, se tornou um fanático e praticamente abandonou a música clássica. O jazz também foi a causa de seu interesse por musica experimental. Ao ouvir Charlie Parker, imediatamente passou a implorar aos seus pais que lhe comprassem um sax alto. Portador de um QI de 137, Brian, apesar das boas notas, era um rebelde na escola~, não aceitando os padrões estabelecidos, e após completar o segundo grau resolveu não seguir para a faculdade, para a tristeza dos seus pais, que passaram a ver o jazz como uma influência negativa. Brian tinha um dom natural para entender qualquer instrumento musical. Em semanas já dominava bem seu sax, embora, para sua frustração, não conseguisse soar nada como seu ídolo. Com 15 anos Brian estava fazendo dinheiro], tocando todo fim de semana em uma banda de jazz. No ano seguinte, ele engravidou sua namorada de apenas 14 anos de idade, (seria o primeiro de seus 5 filhos, cada um com uma garota diferente), juntou dinheiro, seu sax, e fugiu para a Escandinávia, enquanto ela entrava no nono mês.



Brian permaneceu na Escandinávia por alguns meses, tocando e morando nas ruas. Ele sempre se referia a esse período como o mais feliz de toda sua vida. Depois retornou à Inglaterra, e novamente para o circuito de jazz, que era a única música disponível para se trabalhar. Além de diversos empregos que ia perdendo ou por furtar algo ou por puro desinteresse pelo que fazia, Brian tocava em basicamente duas bandas de jazz, John Keen's Traditional Band e Bill Nile's Delta Jazzband. Meninas viviam dependuradas ao redor dos músicos, e Brian, iniciava e dispensava diversos romances. Sua rotina sexual era vista pelos amigos como animalesca, um apetite somente igualado pelo seu interesse por música. Viajando a Londres conheceu uma garota que lhe apresentou o som de um dos discípulos e grande comparsa de Robert Jhonson, Elmore James também conhecido como o Rei do Slide Guitar. Na primeira oportunidade, comprou uma guitarra elétrica e aprendeu a tocá-la, com a técnica de slide à la Elmore, quase da noite pro dia. Brian envolvido pelo Delta Blues tentava sempre formar uma banda com esse estilo, mas, na época os mais velhos só se interessavam por Jazz e os mais novos pelo Skiffle.

Michael Phillip Jagger, filho de um instrutor de ginástica e uma imigrante Australiana, aos 13 anos em 1956, começou a andar com Dick Taylor, um colega de classe que tocava violão e, como ele, gostava de Rhythm n' blues, Skiffle e o que estivesse nas paradas de sucesso daquela semana.

Michael era bom aluno, querido pelos seus professores, e não tinha um pingo de rebeldia dentro dele. Era extremamente passivo às exigências dos mais velhos. Ele era igual a qualquer outro menino, fora o fato de ser irrequieto e ter uma incrível capacidade de observar e imitar praticamente qualquer pessoa. Essa habilidade foi mais tarde direcionada aos cantores nos discos que ele ouvia. Assim, com duas ou três audições, Michael era capaz de cantar uma canção com toda letra correta e as entonações idênticas ao artista que ele acabara de ouvir. Outro dom que demonstrava ter, e que causava admiração nos colegas, era sua capacidade de convencer as meninas a irem com ele para o matinho, para as usuais descobertas de adolescentes. Dick Taylor, pelo contrário, vamos assim dizer, era um tranqueira completo. Nunca ia bem nos estudos e sempre conseguia arrumar algum tipo de problema onde quer que fosse. Acabou sendo expulso da escola onde estudava com Michael e foi parar na Sidcup Art School, uma escola onde eram encaminhados todos os alunos perturbados que não conseguiam conviver numa escola normal.

O principal objetivo desta escola era conseguir manter os alunos longe das ruas e de confusões. Algum tempo depois, um novato com o perfil “Sidcup nível advanced” chama a atenção de Dick, sempre com um violão e com disposição para sair na porrada com quem quer que fosse, Keith Richards logo se tornou o melhor amigo de Dick.

Num dia aparentemente comum, Keith, reconhece um amigo do jardim da infância na rua com vinis clássicos do Blues e do Rock em mãos, logo se aproxima e começa a conversar sobre. Naturalmente começaram a se encontrar sempre para ouvirem e falarem de música. Num destes encontros Dick apareceu e descobriu que o amigo do Jardim da infância de Keith era o garoto Michael. Desde então sempre estavam juntos, tocando, bebendo e assistindo a pequenas apresentações de músicos. Keith, sempre se deu bem com o violão. Ouvia e tocava tudo o que soasse como um desafio. Numa noite, junto de seus amigos Mick e Dick, assistindo a apresentação de uma banda num bar local, ficou embasbacado ao ver pela primeira vez a utilização de uma ferramenta chamada Slide, por um garoto que superava todos seus conhecimentos. Ao término da apresentação o Trio Keitch, Dick e Mick, chamaram o garoto para sentar-se junto a eles.

Depois de muitas bebidas, histórias e risadas, fica selada a amizade do trio com Brian Jones. Algum tempo depois, os garotos ficaram cada vez mais próximos e junto de outros amigos que foram conhecendo nos bares e em pequenas apresentações, tocaram, beberam, caosaram e freqüentaram boas esbórnias. Ganharam fama de problemáticos e arruaceiros. Foram excluídos do cenário de apresentações e aos poucos conseguiram conquistar o próprio espaço. Durante suas apresentações e bebedeiras, sempre utilizavam aditivos para deixarem a loucura muito louca, um destes aditivos era o LSD.

Inicialmente o LSD era utilizado por alguns médicos na área de psiquiatria como droga experimental em pacientes com distúrbios mentais em maior ou menor grau. Em 1960 um psicólogo chamado Dr. Oscar Janiger,de Los Angeles, passa a ser o primeiro a tentar estabelecer alguma conclusão cientifica em relação ao uso de LSD para exacerbar o potencial criativo da mente humana. Para isto, ele escolheu cem artistas voluntários, todos pintores, para desenhar antes, durante e depois do uso de LSD. Todos os artistas sem exceção, consideraram seus desenhos feitos após utilizarem a droga com maior substância e significado artístico. Um chegou a declarar que uma viagem de ácido equivalia a quatro anos de escola artística.

Impressionado com os resultados Dr. Janiger passou a oferecer a droga para uma gama maior de artistas. Entre os mais conhecidos estão Jack Nicholson, James Colburn, Cary Grant e André Previn. Em 1961, dois psicólogos de Harvard, Dr. Richard Alpert e Dr. Timothy Leary, estavam fazendo pesquisas com LSD em colegas de profissão e em alguns prisioneiros voluntários no Massachusetts Correctional Institute. Dr. Leary comentaria com seus colegas nesta época, que ele estava tentando transformar condenados em Budas. Com o uso de psilocibina, um psico-ativos obtido através de cogumelos, somados a sua orientação psicológica, apenas 25% dos prisioneiros voluntários da experiência voltavam a prisão após serem soltos. A porcentagem média comum para o retorno à encarceração de ex- prisioneiros era de 80%.

Ao conhecer Aldous Huxley e ser apresentado ao LSD, Timothy Leary passa a ser fervoroso defensor do medicamento. Seus relatórios iniciais também concluíam que a droga poderia ser um gigantesco avanço para o auxílio na recuperação de pacientes com distúrbios psíquicos, seu primeiro e maior interesse. Leary perguntava, "Porque perder meses, às vezes anos trabalhando com um paciente para conseguir fazer um trabalho de regressão eficaz, quando posso conseguir o mesmo resultado em umas poucas sessões, com o uso desta droga nova?" Por volta de 1962, a CIA já chegara a suas conclusões em relação ao LSD e embora a droga pudesse vir a servir para determinadas operações táticas, os militares dispensaram suas atenções para outra droga, BZ. Assim sendo, o LSD, embora ainda em fase de testes, já não era mais distribuído facilmente entre os médicos. Dr. Timothy Leary não compreende porque a droga não está sendo produzida em escala industrial e disponível no mercado.


No seu entender, a droga deveria ser um direito de todos. Embora médicos percebessem a droga como de grande assistência, nem todos concordavam quanto ao seu uso indiscriminado. Mas o próprio Timothy Leary tinha consciência da necessidade de uma educação prévia ao uso. Quando foi levado a falar diante do congresso americano, explicou que o governo precisaria estabelecer normas e procedimentos, antes de permitir a um cidadão poder consumir a droga livremente. Leary comparava sua proposta com uma carteira de habilitação em que, da mesma maneira que um cidadão precisa fazer uma prova antes de poder dirigir um automóvel, assim ele teria que fazer uma preparação antes de tomar LSD. As idéias de Leary foram ignoradas. Dr. Leary e seu colega Dr. Richard Alpert passam a falar abertamente sobre o ácido. Ao oferecer a droga para um dos estudantes, Dr. Alpert é sumariamente dispensado de Harvard em 1963, com Dr. Leary pedindo demissão em protesto e em apoio ao colega. A partir deste momento, Timothy Leary rompe de vez com sua pacata vida formal, na qual obedecia as regras do sistema de terno e gravata como vinha fazendo em seus já quarenta anos.

Leary passou a oferecer] LSD para músicos que tocavam no circuito jazz de Nova York; jazz sendo a música dos beatnicks e do público alternativo. Gente como Theolonius Monk, Dizzy Gillespie e John Coltrane, foram todos, entre os primeiros a experimentarem a droga na área musical, entregue em primeira mão por Timothy Leary em pessoa. John Coltrane teria dito que pela primeira vez ele percebeu a relação intrínseca entre todos os seres vivos deste planeta. A dupla Leary e Alpert une então a diversos escritores beatnick como Allen Ginsburg, Lawrence Ferlinghetti e Gary Snyderem indo então para a costa oeste americana. Este grupo de pessoas conheciam tantas pessoas ao redor do mundo, que um número cada vez maior de intelectuais do primeiro mundo estavam informados da existência desta droga que libera a mente permitindo explorar o mundo por outro prisma. Agora em 1965, Ken Kesey e os Merry Pranksters estavam novamente em San Francisco, dando varias reuniões, na prática grandes festas chamadas "Happenings", onde o ponche invariavelmente estava aditivado com LSD. Debatiam e promoviam a droga que expande a mente humana. Tocavam música bem alta, faziam brincadeiras utilizando luz, como também realizavam diversos jogos complexos, visando a educação e entretenimento geral. Os jogos e brincadeiras passaram a ser chamadas por Kesey de Acid Tests. Foi numa destas festas, que Brian Jones compareceu.Dentro de poucos meses nasceria Acid Rock e a Revolução Psicodélica.



O LSD só seria considerado ilegal em outubro de 1966. Inicialmente apenas no estado da Califórnia, depois em todo o país. Com isto, a droga, embora fácil de se encontrar no mercado negro, passou a ser impossível de se obter pelos médicos e cientistas para continuarem com seus estudos. Assim, toda pesquisa sobre a mente humana e como LSD poderia ajudar a curar doenças psíquicas, foram interrompidos e sumariamente encerrados. Depois disto, Dr. Richard Alpert preferiu seguir para a Índia, onde conheceu um guru, aprendeu a meditar, e passou a se chamar Baba Ram Dass. Dr. Timothy Leary preferiu uma conduta mais ativista, permanecendo por mais tempo nos Estados Unidos. Leary, cada vez mais público quanto à droga, declararia que sua viagem de ácido foi a maior experiência religiosa que já teve, do tipo capaz de modificar um homem completamente, eternamente.

Torna-se um ativista em defesa do LSD e com seu dom nato de orador, cunha o slogan "Turn on, tune in, drop out" ou seja, "Se liga, se sintonize, e pula fora". O sistema a se pular fora, neste caso é o sistema educacional, que ainda condicionava excessivamente a mente dos alunos a aceitar o pensamento ortodoxo, propositadamente inibindo o pensamento livre e conclusões próprias. Leary ao pregar a droga como um instrumento para a mudança de toda a estrutura política, religiosa e social dentro dos Estados Unidos, só agrava sua relação com o governo e autoridades. Logo, ele será classificado pela FBI e a CIA como o homem mais perigoso da América. Leary retrucaria apenas que LSD é menos perigoso do que televisão a cores. Até o final da década, ele seria preso, mas conseguiria fugir da cadeia e do país. O LSD teria uma profunda influência na música das pessoas que utilizaram a droga. Os Stones iriam lucrar inicialmente com suas experiências psicodélicas, mas no caso de Brian, seu estado psíquico instável só viria a dar uma guinada para pior. Como Brian Jones, outras pessoas perderiam até certo ponto, uma melhor noção da realidade. Dois casos mais conhecidos são de Syd Barret que teria que ser substituído no Pink Floyd e Brian Wilson que igualmente se afastaria, cada vez mais, de suas obrigações com os Beach Boys.

Dentro do círculo de amigos dos Rolling Stones, haviam pontos de encontro onde as pessoas podiam aparecer, acender um baseado, e ninguém faria cara feia. Entre 1965 e 1966, estes lugares eram geralmente nas residências de John Dunbar, Barry Miles, Robert Frazer, Paul McCartney, e evidentemente, Brian Jones. Entre os amigos, geralmente estavam alguns membros dos Stones, dos Beatles, dos Animals, e dos Hollies. George Harrison e Brian Jones acabam por estreitarem a amizade durante este período, atraídos um pouco pela similaridade de seus papéis musicais. Afinal, ambos são guitarristas líderes das duas bandas mais populares do mundo, como também ambos buscam um espaço criativo dentro de suas respectivas bandas e tê-lo reconhecido pelos demais membros de seu grupo. O uso abusivo do LSD, principalmente por Brian, estava evidente. A loucura Lisérgica somada aos abusos etílicos de uma vida desregrada e de traços de personalidades agressivas, naturalmente eclodiriam em conflitos entre os próprios membros e entre a sociedade. Houveram julgamentos, prisões escândalos e todo tipo de furduncio que uma banda poderia caosar.



Buscando um pouco de paz, Mick e sua então esposa saem em viajem e em 1968 acabam no Brasil, visitam o Rio e Salvador onde conheceram, frequentaram e tiveram grande simpatia por cultos de Magia Afro-Brasileira, o Candomblé. Passando assim a utilizar sons de atabaques e letras ritualísticas em suas músicas. O clima de loucura, insatisfação, separações e brigas acompanharam os Stones até o dia 3 de julho de 1969, quando uma das algazarras promovidas por Brian não terminou muito bem, pelo menos para ele. Brian foi encontrado inconsciente dentro de sua piscina, após ser socorrido não resistiu e aos 27 anos ( Já viram este número anteriormente? Hehe) , morre. O que aconteceu ao certo naquele dia, ninguém de fato sabe. Para completar, três dias após sua morte, todos seus pertences foram retirados de sua casa e desapareceram para sempre. Ninguém sabe quem ou porque fizeram isso.


A partir de agora, o mundo Lisérgico irá compor intensivamente partes do mundo do Rock. A loucura do ácido, somada a literatura dos escritores obscuros e ocultistas, misturados com o espírito de rebeldia e desprezo aos bons costumes irão servir de referencia para todas as próximas gerações.

No próximo post da série:  O Rock Xamânico e as Portas da Percepção.




Brian Jones afirmava ver o fantasma de uma garota em uma dos lugares onde morou, para dar paz ao espírito da guria, organizou uma festa que durou uma semana. Segundo ele, deu certo.

Erick Clapton foi cogitado para substituir Brian, mas o mesmo não achou a ideia interessante na época.

A formação atual dos Stones : Mick Jagger (desde 62), Keith Richards (desde 62), Charllie Watts (desde 63) e Ron Wood (desde 74).

Para quem começou agora, recomendo os posts anteriores da série: Sobre o Rock e o Oculto e Sobre o Rock e o Oculto - Parte II


To be continued...